Durante meu processo de transição de carreira para o Marketing Digital, me deparei com um assunto que cativou minha atenção, mesmo não sendo algo difundido entre os profissionais da área: a Acessibilidade Digital. Sabemos que, na teoria, a internet é para todos, mas é importante questionar se na prática isso se consolida, e se não, quem é responsável para tal?
Quando é falado sobre as diretrizes da WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), a primeira reação, geralmente, de muitas equipes de marketing é direcionar a demanda para o setor de TI ou desenvolvimento. Existe esse mito de que acessibilidade web é uma checklist puramente técnica, feita de linhas de código, contrastes de botões e marcações de sistema que só interessam aos desenvolvedores.
A acessibilidade não termina no código, mas está em todas as camadas de conteúdo. Cada imagem postada sem contexto, cada vídeo sem legenda, cada menu em formato de imagem estática e cada link genérico que escrevemos funciona como uma porta fechada na cara de milhões de usuários.
Antes de entrar nas regras práticas, fui atrás de entender o impacto sistêmico da inclusão no ecossistema digital. Os motores de busca, como o Google, não conseguem “enxergar” um design conceitual ou assistir a um vídeo institucional da mesma forma que um usuário comum. Eles dependem de pistas textuais e de uma arquitetura limpa para decodificar o valor de uma página.
De outro lado, temos os softwares de leitura de tela para deficientes visuais, que operam sob a mesma lógica dos robôs do Google.
Portanto, quando otimizamos um site para torná-lo acessível para alguém que tenha deficiencia visual, entregamos também, uma página mastigada para os algoritmos de busca.
Sendo assim, acessibilidade e SEO são duas faces da mesma moeda focada na experiência do usuário (UX).
Diante desse cenário, o próximo passo foi me aprofundar quais frentes a produção de conteúdo deve dominar para que esteja em conformidade com as diretrizes globais de acessibilidade. Aqui, vou deixar as quatro que considero mais importante:
O texto alternativo deve traduzir a informação e o contexto emocional que a imagem transmite, e não apenas ser uma lista fria de palavras-chave visando apenas o ranqueamento.
Segue o exemplo:
Links textuais que utilizam termos como “clique aqui”, “leia mais” ou “saiba mais” violam os critérios de acessibilidade, pois o usuário perde o contexto de destino. Pessoas com deficiência visual navegam pelas páginas saltando de link em link através de comandos do teclado.
Exemplos de âncoras descritivas:
Aqui falaremos sobre as tags de cabeçalho (<h1>, <h2>, <h3>), as quais muitos produtores de conteúdo as utilizam apenas como ferramenta de design, o que quebra a navegação estrutural.
A ordem dos títulos serve para orientar o cérebro humano e o software de leitura na construção do mapa mental do artigo. O design deve respeitar a ordem lógica e cronológica da informação.
Se você for um produtor de conteúdo que tem como estratégia os vídeos, então é necessário incluir alternativas textuais equivalentes para os mesmos.
Isso envolve legendas sincronizadas manualmente (evitando as automações que distorcem nomes de marcas ou termos técnicos) e uma transcrição completa em texto corrido para episódios de podcast ou entrevistas em áudio. Essa prática atende a comunidade surda, usuários com limitações cognitivas temporárias e pessoas que consomem conteúdo em ambientes barulhentos sem fones de ouvido.
Com esse artigo, espero ter cumprido o objetivo de trazer insights práticos sobre a aplicação da acessibilidadea partir de diversos estudos sobre a acessibilidade no contexto do Marketing Digital.
Continuar produzindo conteúdo ignorando a acessibilidade digital é assumir que o seu negócio não se importa em excluir uma parcela significativa do mercado consumidor.